Um abraço e um beijo no pescoço, logo que as portas fecharam, mostraram a tua vontade, mostraram o teu querer... Colaborei, não retribuí...
As portas abriram. Separamo-nos pelo secretismo do encontro. Separamo-nos por ver luz, aquela que deixamos de ver tantas vezes para podermos ver as nossas almas, juntos e sem forma de nos separarem...
18.59h - Uma mão no volante. A outra procurou a minha. O meu polegar moveu-se, acariciando as costas da tua mão. Um gesto de ternura quando até o próprio silêncio estava constrangido dentro daquele carro. Uma dúvida do que se deixou no passado. Uma dúvida do que se sentia no presente. Uma dúvida ainda maior sobre o que seria o futuro.
19.03h - À porta de uma estação, uma rua de muito movimento, uns semáforos verdes e tu me deixaste.
Sem saber o que fazer, busquei a tua face para me despedir. Fixaste o olhar em mim. Não entendi. Beijei-te. Um sorriso nervoso e uma expressão de despedida: ninguém sabia o que fazer.
Já no comboio percebi de quantas saudades tive dos teus lábios, assim como percebi que dois anos foram suficientes para apagar a memória da sensação mas um só segundo lembrou-me o quanto eu te desejei. Um só segundo chegou-me para te desejar mais ainda. Um só segundo fez-me querer lutar por ti, mesmo sabendo do que vamos ter de passar. Um só segundo fez-me querer essa tua boca sempre encostada à minha. Um só segundo fez-me querer ter-te todos os dias, deitado ao meu lado, sem nunca me largares.
Acho que aquele segundo acabou por mudar a minha vida.
E só ainda não o sei...

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