29.12.06

Eu não sei... Feliz 2007!



Há quem faça balanços pessoais do ano que termina...
Há quem diga quais foram os melhores e piores momentos de Portugal em 2006...
Há quem faça juízos da actividade cultural, social e desportiva que foi feita...




Há quem enumere os objectivos que quer ver cumpridos em 2007...
Há quem faça listas que contêm o que se pretende obter e o que se pretende afastar...
Há quem, antes do ano novo começar, tenha já determinado o seu plano anual, pormenorizadamente...




Há quem faça previsões para o novo ano...
Há quem invente previsões astrológicas...
Há quem tente adivinhar o que vai acontecer a Portugal em termos políticos...




Há quem saiba exactamente o que quer...
Há quem saiba exactamente quem quer...
Há quem tenha a certeza que tudo se vai recompor...
Há quem só tenha a esperança...




Eu, não...

Não faço nada disto...
Não tenho nada disto...
Não sei nada disto...
Não penso nada disto...
Não penso em nada disto...


Simplesmente...


Não faço...
Não tenho...
Não sei...
Não penso...
Não sinto...
Não...

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Eu não sei o que vi aqui
Eu não sei prá onde ir
Eu não sei porque moro ali
Eu não sei porque estou

Eu não sei prá onde a gente vai
Andando pelo mundo
Eu não sei prá onde o mundo vai
Nesse breu vou sem rumo

Só sei que o mundo vai de lá pra cá
Andando por ali
Por acolá
Querendo ver o sol que não chega
Querendo ter alguém que não vem (não vem)

Eu não sei o que vi aqui
Eu não sei prá onde ir
Eu não sei porque moro ali
Eu não sei porque estou

Eu não sei prá onde a gente vai
Andando pelo mundo
Eu não sei prá onde o mundo vai
Nesse breu vou sem rumo

Só sei que o mundo vai de lá pra cá
Andando por ali
Por acolá
Querendo ver o sol que não chega
Querendo ter alguém que não vem (não vem)

Cada um sabe dos gostos que tem
Suas escolhas, suas curas
Seus jardins
De que adianta a espera de alguém?
O mundo todo reside
Dentro, em mim

Cada um pode com a força que tem
Na leveza e na doçura
De ser feliz.

(Vanessa da Mata - Onde ir)

http://www.youtube.com/watch?v=XVm1R4Hl660

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Não existe passado...
Não existe futuro...


Não existem certezas...
Nem positivas, nem negativas...

Podem chamar de dúvidas existenciais...
Mas não...
Chama-se deriva...

O que vem? Não sei...
O que quero que venha? Muito menos...


Por enquanto, fico a flutuar...




Só me resta desejar um
Feliz 2007!





22.12.06

Três dias seguidos... e a luz continua acesa... incessante, até ti...




Três dias seguidos... Todos praticamente à mesma hora... Quando o Sol já se vai pondo... E lá, naquele canto escondido, a noite já se nota, as luzes precisam de ser acesas...
Três dias seguidos... Todos praticamente à mesma hora... A tua casa está agora transformada... em quê? Sei lá...
Três dias seguidos... Todos praticamente à mesma hora... Fez-me lembrar o que passei contigo, não só lá, mas também nos outros espaços que tornamos intimos... E na verdade, eram, mas para tanta gente...
Três dias seguidos... Todos praticamente à mesma hora... A janela... A TUA janela... Aquela que nunca conseguíamos fechar totalmente, restanto sempre uma centelha de luz que teimava em iluminar o que não se queria iluminado... É agora outra coisa, não sei bem o quê...
Três dias seguidos... Todos praticamente à mesma hora... Mas a TUA janela estava sempre com a luz acesa... A tua janela, aquela janela incolor, tem agora um tom branco, tal como o resto da casa, agora pintada... A tua janela tem agora cortinas... Daquelas enormes, usadas em escritórios, que raramente se sobem, para o interior não ser visto...
Três dias seguidos... Todos praticamente à mesma hora... Sim, possivelmente é o que acontece... O interior não pode ser visto... Tal como nos nossos tempos, em que, com a centelha de luz entrava também um olhar que tentava ser discreto, despercebido... E era, porque era simplesmente imaginário... Mas mesmo assim, o anonimato era preferível... O interior não interessava a ninguém e assim sendo, muitas histórias poderiam ser contadas...
Três dias seguidos... Todos praticamente à mesma hora... Tens agora cortinas, tens agora uma janela branca, sabe-se lá mais o que terás...
Três dias seguidos... Todos praticamente à mesma hora...E eu a pensar que tu já não mais voltarias ao meu pensamento... Enganei-me, iludi-me comigo mesma...
Três dias seguidos... Todos praticamente à mesma hora... Num deles, confessei pela primeira e última vez a quem quis perceber o que tínhamos sido e o que iríamos ser, que precisava de esclarecer algumas coisas, precisava de eslarecer-me... A resposta foi: "Se realmente quisesses esclarecer isso, já tinhas esclarecido"... Realmente, é verdade... Mas isso não me deixou convicta de que não poderia mais ter-te no pensamento, mas só me fez pensar em porque não o tinha feito até agora... Talvez porque ainda não me senti preparada, talvez porque a resposta será mais cruel do que a espera ou a ignorância, talvez porque ainda tenho esperança, ou talvez porque ainda acredito em ti... Achas que devia? Achas que mereces? O que achas afinal?
Três dias seguidos... Todos praticamente à mesma hora... Mantenho uma conversa imaginária contigo, que dura horas, dias, semanas, meses...


Três dias seguidos... Todos praticamente à mesma hora...
Ainda te sinto...

Três dias seguidos... Todos praticamente à mesma hora...
Ainda te espero...

Três dias seguidos... Todos praticamente à mesma hora...
Ainda te sofro...

Três dias seguidos... Todos praticamente à mesma hora...
Ainda .. ...





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"Sabes que não sei muito mais
Do que aprendemos os dois
Em livros secretos tentámos fazer melhor
Como dois cristais cor de amido
Que se olham de frente e perfil
Pureza e desejo e um toque de mão gentil
Quero ver se não respondes, desta vez puxei por mim
Canto, voa no bico de um colibri
Se quiseres fazer de conta que não viste como eu vi
O fogo que arde no peito de um colibri
Cravejámos de ondas e sal
Não quisemos ver o areal
Deserto das cores com que pintámos amores
Não quero saber muito mais
Só quero saber se onde vais regressaste a ti
Só quero ver-te feliz
Quero ver se não respondes, desta vez puxei por mim
Canto, voa no bico de um colibri
Se quiseres fazer de conta que não viste como eu vi
O fogo que arde no peito de um colibri"

[Colibri (Pureza e Desejo) - Luís Represas]







Três dias seguidos... Todos praticamente à mesma hora... E por muitos mais em mim continuarás...



Três dias seguidos... Todos praticamente à mesma hora... "Não quero saber muito mais... Só quero saber se onde vais regressaste a ti..."



*(Para quem nem com a luz acesa vê o seu caminho iluminado...)

3.12.06

Afinal engana... *(Para quem sabe que "Afinal engana...", sem me dizer porquê...)

Afinal
de final * Lat. fine

adv.,
por fim;
enfim;
finalmente;
em conclusão.

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engana
(do verbo enganar)
do Lat. *ingannare

v. tr.,
fazer cair em erro;
proporcionar ensejo para erro;
seduzir;
lograr;
faltar à fé jurada;
atraiçoar;

v. refl.,
cair em erro;
cometer um erro;
iludir-se.

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... (reticências)
do Lat. reticentia

s. f.,
omissão intencional de uma coisa que se devia ou podia dizer;

Ret.,
figura pela qual o orador se interrompe antes de haver exprimido completamente o seu
pensamento, mas deixando perceber o que não chegou a dizer;

(no pl.)
pontos sucessivos que na escrita indicam aquela omissão.

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Afinal engana...

Não, eu fiquei confusa...
Mais do que isso, boquiaberta...
Honestamente, sem saber o que queria dizer nem o que fazer...
Fiquei...






*(Para quem sabe que "Afinal engana...", sem me dizer porquê...)






Will you come back? And what should I say? |A+P MSD*HW|

O que os ventos trouxeram...